Uma postagem recentemente ressoou. Uma mulher lésbica cis, totalmente confortável como mulher e atraída apenas por mulheres, admitiu algo:
“Acho a ideia de eu ter um pênis incrivelmente excitante. Eu não quero homens, não quero ser um homem — mas quando estou com uma mulher, imaginar-me com um pênis parece poderoso, erótico e simplesmente certo.”
O que aconteceu a seguir? Centenas de comentários de outras lésbicas dizendo: “Igual aqui!”, “Você não é estranha de jeito nenhum.”
Isso não é um pensamento raro ou marginal. É uma experiência erótica compartilhada na comunidade lésbica. E isso não faz de você menos lésbica.
Por que Fantasiamos Sobre Ter um Pênis
O sexo lésbico nunca foi confinado a regras rígidas. Sempre fomos especialistas em criar nossos próprios roteiros eróticos. Nossa sexualidade é imaginativa, expansiva e lúdica. Imaginar-nos com um pênis — ou até mesmo sentir que temos um durante o sexo — não é incomum. Na verdade, a neurociência e a teoria queer sugerem que é mais comum do que percebemos.
1. Neurociência e o Efeito do Membro Fantasma
A neurologia há muito documenta o fenômeno do membro fantasma, onde amputados sentem um braço, perna — ou até mesmo pênis — ausente como se ainda estivesse lá.
Isso acontece porque o cérebro retém um mapa corporal neural — a parte não precisa existir fisicamente para que possamos senti-la. Isso sugere que imaginar um pênis durante o sexo é a maneira do cérebro de estender esse mapa corporal para a fantasia e a excitação. Para alguns queer, “ter” um pênis durante o sexo inverte dinâmicas, oferecendo uma sensação de controle, domínio ou simplesmente uma nova maneira de se conectar.
2. Corporeidade na Intimidade Queer
Quando usamos strap ons, ou mesmo apenas imaginamos penetração, muitos relatam que o brinquedo ou a fantasia se sente como uma extensão de seu próprio corpo.
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Em uma investigação hermenêutica sobre o uso de strap-on, os pesquisadores descobriram que lésbicas descreveram o dildo como parte delas, borrando a linha entre objeto e corpo.
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Comunidades online ecoam isso:
“Às vezes eu sinto um pênis quando na verdade não tenho um; é como um pênis fantasma.”
“Usando um strap on, juro que meu cérebro me engana fazendo eu pensar que está preso.”
Isso não é imaginação em um sentido superficial — é corporeidade, onde o cérebro incorpora um objeto (ou ideia) na sensação de si mesmo. Usar um strap-on muitas vezes se sente como uma extensão do seu corpo. A neurociência até mostra que as pessoas podem experimentar sensações de “membro fantasma”, onde o strap começa a parecer real.
3. Psicanálise Queer e Imagem Corporal
A psicanalista queer Patricia Gherovici escreveu sobre o “pênis fantasma” não apenas em comunidades trans, mas também em pessoas cis queer. Isso revela como desejo, fantasia e corporeidade muitas vezes cruzam as fronteiras da realidade física.
Da mesma forma, o filósofo Chris Straayer e o acadêmico S. J. Langer descrevem como as pessoas podem experimentar uma imagem corporal de gênero fantasma — uma impressão neurológica e psicológica de ter genitais que não estão fisicamente presentes, especialmente durante momentos de intimidade elevada. Assistir pornografia apenas com pênis não significa desejar homens. Para muitas lésbicas, trata-se de imaginar aquele pênis como seu durante o sexo.
4. Projeção Fantástica — Onde Mente Encontra Corpo
A fantasia é poderosa. Para muitas irmãs, imaginar ter um pênis durante o sexo não significa querer ser um homem — significa querer sentir a energia erótica da penetração como se fosse diretamente sua. Ao contrário dos roteiros heterossexuais, nossa intimidade prospera na criatividade. Não estamos presas a “isso significa aquilo.” Ter um pênis na fantasia não é igual a ser um homem, assim como usar um strap-on não é igual a sexo heterossexual.
Algumas até descrevem se excitar assistindo pornografia masculina solo sem rostos — não por atração a homens, mas porque projetam-se naquela parte do corpo. É a maneira do cérebro dizer: “Sou eu.”
Por que Isso Parece Tão Real
| Fator | O que Significa |
|---|---|
| Mapa corporal do cérebro | Como membros fantasmas, o cérebro pode criar sensações de genitais que não estão lá. |
| Corporeidade de brinquedos | Strap-ons e packers são frequentemente experimentados como uma extensão do corpo. |
| Desejo queer | A fantasia sexual é sobre sensação e papel, não necessariamente identidade de gênero. |
| Validação da comunidade | Incontáveis lésbicas relatam a mesma experiência — não é um caso isolado, é um fenômeno compartilhado. |
Isso Faz de Você Menos Lésbica?
De jeito nenhum.
Ficar excitada com a ideia de você ter um pênis de forma alguma invalida sua identidade lésbica. Você ainda é atraída apenas por mulheres — sua fantasia é simplesmente sobre expandir como você experimenta a intimidade.
Muitas lésbicas descrevem isso como uma das partes mais quentes do sexo queer — poder imaginar novas possibilidades de corporeidade sem mudar quem são.
Se você já pensou, “Sou estranha por fantasiar sobre ter um pênis?” a resposta é: você não é estranha, você é queer.
Sua fantasia é uma mistura de neurociência, corporeidade e imaginação erótica que inúmeras lésbicas compartilham. Isso não faz de você menos mulher, e não faz de você menos lésbica. Na verdade, é uma maneira exclusivamente lésbica de expandir a intimidade além do que a cultura heterossexual nos ensinou a imaginar.
Vozes da Comunidade: “Você Não Está Sozinha”
Do Reddit e além, aqui estão os tipos de afirmações que lésbicas estão compartilhando:
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“Eu amo mulheres, ponto. Mas quando estou com strap on, juro que meu cérebro me diz que sou eu.”
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“Fico excitada imaginando-me penetrando — não porque quero ser um cara, mas porque quero experimentar sexo dessa maneira.”
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“Usar strap on me faz sentir poderosa e conectada. Às vezes eu esqueço que é silicone, simplesmente se sente como eu.”
Quando dezenas — até centenas — de lésbicas ecoam a mesma experiência, podemos parar de perguntar “Isso é normal?” e começar a dizer, “Esse somos nós.”
Ferramentas para Explorar Essa Fantasia (Com Segurança e Alegria)
Para iniciantes que desejam se aprofundar nessa corporeidade de forma segura, aqui está como explorar:
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Cintos de strap on: Um cinto de boxe como o Prideher da Crassie permite que você insira um dildo e incorpore instantaneamente a fantasia sem cintos complicados. É natural, usável e afirmativo.
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Dildos não realistas: Muitas lésbicas não gostam de estilos hiper-realistas. Opte por brinquedos de silicone platina seguros para o corpo com cores ousadas e formas suaves — eles incorporam poder sem imitar homens.
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Brincadeira com espelhos: Ver-se com strap on pode aumentar a excitação, transformando fantasia em realidade sentida.
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Práticas de proteção: Sempre use silicone seguro para o corpo, limpe os brinquedos completamente e, se compartilhar, considere usar preservativos nos brinquedos por higiene.
O Superpoder Erótico Queer
Aqui está a verdade: fantasias lésbicas sobre “ter um pênis” não são contradições — são testemunhos da nossa capacidade de criar sexo em nossos próprios termos.
Quando você pega um strap, quando imagina a si mesma em um papel, quando incorpora algo que não é fisicamente “seu” — você está expandindo o que significa ser um ser sexual fora do olhar heterossexual.
E isso? Isso é superpoder queer.
Então, da próxima vez que você estiver usando strap on, imaginando ou assistindo pornografia através de sua própria lente projetada, lembre-se: você não é estranha, você não é menos lésbica. Você está simplesmente explorando a infinita tela erótica que nos pertence.